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Troncos

Como as pedras, os troncos são os itens mais usados em hardscapes nos aquários.

Talvez o que vamos falar aqui seja assunto batido para alguns, mas muito aquaristas, principalmente os iniciantes, ainda apresentam muitas dúvidas em relação a eles, então vamos lá.


Primeiro, vamos a algumas constatações sobre troncos em aquários.

Todo tronco acidifica a água, dizer o contrário disso é incorrer em erro. Toda madeira, independente da espécie, vai se decompondo dentro da água, umas bem lentamente como é o caso de madeiras que tenham uma densidade maior como no caso da Aroeira, do Ipê e tantas outras, outras se decompõe bem mais rápido por serem madeiras menos densas.

Essa decomposição por processos químicos que não cabem serem citados aqui acabam por acidificar, sim a água.

Não, não é todo tronco/galho/raiz que pode ir pra dentro do aquário, existem algumas madeiras que não podem ser usadas, principalmente de famílias como a Myrtaceae onde estão os eucaliptos ou as da família Pinaceae (Pinheiros). Enfim, praticamente toda madeira que seja muito “resinosa” não deve ser usada em aquários, sob o risco de perdemos toda a fauna e não raro a flora também.

A ideia de que madeiras assim bem secas podem ser usadas é totalmente errada.

O uso de troncos ajuda muito na estabilização do aquário com plantas, ajuda na prevenção de algumas doenças com a liberação gradual do tanino e além disso, com o tempo ele libera ácidos húmicos que ajudam no DOC (Dissolved Organic Carbon) que é matéria prima para a vida das plantas.

Bem, tendo isso como base inicial, vamos aos troncos.

Nota: vamos nos referir aqui somente a troncos, mas entenda-se junto a eles, galhos e raízes.

Eles no layout:

Praticamente qualquer modelo (notem não é espécie de madeira e modelo – entenda-se visual deles) de tronco, galhos e raízes pode ser usado num aquário, o que varia é o gosto estético de cada aquarista e não vamos aqui discutir isso.


Lembrem-se somente que existem alguns peixes de nado rápido e/ou assustadiços demais que podem se machucar em farpas, pontas ou coisas assim.

Espécies de madeira:

Como já foi dito acima, não é toda madeira que pode ser usada em aquários, então se você é daqueles que vai no mato procurar troncos secos pra isso, cuidado: caso você não saiba que madeira é pode ter surpresas muito desagradáveis.


A conhecida Aroeira é sem dúvida a mais usada para esse fim. Outras madeiras chamadas “densas” são usadas também por sua facilidade em afundar e sua decomposição muito lenta. Mas tudo depende de termos um pouco de noção, pois mesmo ao pegarmos um determinado tronco, já podemos ter ideia se podemos usá-lo ou não.

Tronco pesados indicam normalmente madeira densa, se possível com uma faca amolada tire uma lasca do tronco e cheire, isso mesmo cheire, cheiros de remédios, cheiros cítricos, cheiros de “perfumes” ou produtos de limpeza (como os do eucalipto), não podem existir.

Olhe bem esse corte que você fez (cortes antigos não mostram mais isso) e note se há presença de resíduos de seiva,  madeiras ricas em seiva apresentam uma espécie de brilho oleoso no corte recente, mesmo estando secas.

Nota: É proibido o corte (sem autorização) da Aroeira nativa.

Muitas espécies de árvores frutíferas, podem fornecer ótimos troncos, as vezes as encontramos cortadas e secas já por ai, ou conhecemos alguém que vai fazer uma boa poda em alguma dessas. Goiabeiras, Jabuticabeiras, Amoreiras, e mais umas tantas fornecem, bons troncos e galhos. Mas árvores de frutas cítricas devem ser evitadas. 

Adquirindo os troncos:

Aqui há algumas formas de você adquirir o tronco: comprando-o em lojas especializadas, de amigos, ou mesmo coletando-os na natureza.

Vale lembrar que o corte de algumas espécies são proibidas por lei. Cortá-las é considerado crime ambiental e é passível de pena. Informe-se bem sobre isso ante de qualquer coisa.

Troncos secos podem ser encontrados em matas, em beira de estradas rurais e em uma gama enorme de lugares.

Coletar troncos, raízes ou galhos em rios (e lagos) é uma coisa muito boa, troncos encontrados assim, normalmente já passaram pelo processo de preparo e decomposição inicial, facilitando muito seu uso.

Precisando normalmente somente de uma lavagem e esterilização.


Outra coisa que vemos por aí às vezes são troncos vendidos em lojas de artesanatos ou decoração. Muito cuidado com esses troncos! Apesar de às vezes parecerem muito com os usados em aquários, são na maioria das vezes tratados com produtos tóxicos como selantes, vernizes, cupincidas, colorantes, etc. que não saem mais deles, o que causaria um estrago grande num aquário se fossem usados.

O preparo: 

Nem deveria ser preciso falar que todo tronco, galho ou raiz só pode ser usado em aquários muito bem secos. Troncos recém cortados e mesmo cortados recentemente não podem ser usados, ou devem ser evitados ao máximo pelo menos.

Tentar usar troncos não totalmente secos pode causar alguns contratempos bem desagradáveis. Troncos assim costumam tingir muito a água, (vamos falar mais disso depois), podem soltar algumas substâncias na água, normalmente “fungam”, etc. Então certifique-se que o tronco esteja totalmente seco.

Nota: Troncos não muito bem secos, via de regra pouco tempo depois de serem submersos, apresentam grudados a eles, uma espécie de gosma gelatinosa de aspecto claro. Se tiverem sido erroneamente colocados no aquário muito verdes, pode ser a seiva da madeira sendo exposta, e essa dependendo na espécie da madeira pode sim ser bem prejudicial. 

Se o tronco estiver mais seco (poreém não totalmente) isso normalmente é um ataque de fungos inofensivos à fauna/flora, e pode ser facilmente sifonado ou se o aquário assim o permitir (já ciclado, parâmetros, compatibilidade de fauna, etc) a colocação de algumas Molinésias (Poecilia sphenops) resolvem o problema, pois são peixes que a comem.

Note por favor, que o termo seco se refere a um processo de secagem sofrido pelo tronco, algo como o oposto de “verde”. Um tronco dito “verde”, morre (por corte ou outro motivo qualquer) e começa um processo longo de secagem, depois de bastante tempo, ele pode digamos cair num rio e ficar molhado, mas já passou pelo processo de secagem mencionado acima.

Esse processo de secagem é demorado mesmo, apesar de saber que algumas pessoas tentam acelerá-lo, fazendo uso de estufas, aquecedores, fornos e outros artifícios. O processo mais recomendado ainda é deixá-lo exposto ao tempo (sol), ter paciência e esperar.

É aconselhável que o tronco, após a secagem, tenha sua casca totalmente retirada (esse processo pode ser feito também com ele ainda verde), a casca de todos os troncos se deteriora muito rapidamente, sujando e tingindo muito a água.

Estando como tronco bem seco em mãos, vamos ao tratamento do mesmo.

Com a casca já removida, temos que começar o que comumente é chamado de tratamento desse tronco. E aqui cabe uma rápida explicação.

Os troncos recém secos e preparados contém ainda algumas substâncias, bactérias, fungos, etc que devem ser removidas antes do seu uso.

O tanino (polifenol), por exemplo, é uma delas. Praticamente toda madeira tem tanino, algumas são mais ricas dele que outras, mas quase todas o têm. Ao ser submerso na água ele começa a liberar essa substância (não nociva à fauna) fazendo com que a água adquira uma coloração de chá, nem sempre desejada, salvo para algumas reproduções de biótopos.

Ficar livre desse problema nem sempre é algo rápido.

Tratando o tronco:

Tanto troncos coletados na natureza como os comprados em lojas especializadas requerem algum tipo de tratamento. 

Não fazê-lo é colocar a montagem sob um risco desnecessário.

Existem dezenas de métodos usados e difundidos por aí sobre o tratamento de um tronco, alguns são defendidos, outros criticados. Vamos aqui citar algumas coisa relativas a isso e deixar que caiba ao leitor decidir como fará.

Fala-se muito no uso de cloro (água sanitária), sal grosso, fervura, etc., para esse tratamento, todos eles têm suas vantagens e desvantagens.

Imergir o tronco em uma solução forte de água mais água sanitária (algo como dez partes de água pra uma de água sanitária) resolve grande parte dos problemas sim, mas lembre-se que após o tronco permanecer por um dia ou mais nessa solução, ele vai ficar impregnado de cloro, que normalmente não sai com simples enxágues. 

Mas colocar esse tronco imerso em água bem quente, e/ou fervê-lo, retira praticamente todo cloro. Depois disso, deixá-lo imerso por uns dias em água com uma dosagem dobrada de anti-cloro elimina o restante.

Outros citam o uso de sal grosso, como uma forma de “esterilização” de troncos, e funciona também. Deixar o tronco imerso numa solução bem forte de água e sal grosso ajuda muito.

Nota: Existe quem defenda que sal grosso (NaCl) ajude a combater o tanino, alegando que esse reage com ele ajudando a eliminá-lo. Não sou químico, mas em conversa com alguns e procurando informações na internet, livros e revistas, nunca achei nada que comprovasse isso.

O que pode (não é provado) acontecer é que o sal grosso cause o aumento da osmolaridade da água favorecendo assim a liberação do tanino do tronco para essa, mas como disse isso é só especulação. 

Temos que ressaltar um fato importante, mas nem sempre lembrado, quando utilizamos esse tipo de tratamento com sal grosso: existem muitos peixes, principalmente peixes  sem escamas (coridoras, cascudos, bagres, etc) que não suportam a presença de sal na água, certo?

Bem, troncos tratados nessa forte (saturada) solução de sal grosso ficam impregnados com ele e vão soltá-lo aos poucos depois dentro do aquário, não raro causando desconforto desses peixes ou mesmo sua morte. E qual a solução?

  
Imersão desse tronco em água limpa por vários dias, com trocas totais de água muito frequentes.

Ferver o tronco, quando possível, é também um ótimo tratamento, pois não deixa resíduos prejudiciais após o tratamento. Se o tamanho do tronco, galho ou raiz assim o permitir ferva-o por uns 20 a 30 minutos, repondo a água evaporada para mantê-lo coberto. Esse método de fervura ajuda muito também na questão de imersão.

E já que falamos em imersão: praticamente toda madeira um dia acaba afundando, isso é certo. Umas demoram mais, outras menos. Mas repito: quase todas elas afundam (há raras exceções aqui)! Quanto o tronco que você tem vai demorar para afundar? Impossível dizer. Coloque-lo num recipiente, imerso dentro da água (use algum peso para mantê-lo assim) e espere, não há outro modo.

Bom falamos aqui de como tentar “esterilizar” o tronco, mas ainda temos o tanino e,  pra esse, a única solução é um pouco de trabalho e muita paciência.

Imersão e troca dessa água constante, quanto mais trocar melhor, se possível quatro, cinco vezes por dia. Por quanto tempo? Vai depender da espécie de madeira que for, em média uns 20 dias.

Há quem diga que o aparecimento de algas no tronco ajude a eliminar o tanino, devido ao fato dessas consumirem a tanina, mas não há prova real sobre esse fato.

Como todo método de tratamento tem suas vantagens e desvantagens, particularmente, prefiro fazer um “mix” deles: um banho 24 horas na solução de água mais água sanitária, depois enxáguo bem e coloco dentro de outra solução de sal grosso e água, fervendo isso quando é possível.

Quando não dá pra ferver, eu coloco o tronco dentro de um recipiente e fervo a solução saturada de água e sal grosso à parte e vou derramando sobre o tronco, tentar encher o lugar onde está o tronco com água do chuveiro o mais quente possível também ajuda.

Esse método, além de dar um banho de água e sal grosso já descrito acima, devido ao calor, retira o cloro restante do primeiro banho.

Feito isso, depois de mais 24 horas nesse banho, novo enxágue e imersão com várias trocas de água por vinte a trinta dias para minimizar o tanino.



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